Depois de pegar essa mania besta de querer voltar no tempo ou desejar que ele passe logo, eu queria que o tempo parasse só dessa vez. Quem acredita nessa coisa de que nada dura pra sempre, nunca se apaixonou de verdade e não conheceu a estabilidade perturbadora do caos.
Por isso, sou a favor do jogo limpo. Se uma coisa te feriu e te machucou, diz. Se uma coisa ficou entalada na garganta, cospe. Se uma coisa tá incomodando, tá te apertando, tira. A vida fica mais simples assim.
Você queria mudar o mundo e parar o tempo. É, todo mundo quer. Mas acabou construindo as mesmas coisas, essa série de clichês adultos, como filhos, dizer “sim” na frente de algum juiz de paz, ganhar dinheiro, sobrepeso, netos, diabetes. E também construir uma casa enorme, com piscina e churrasqueira. Aí, quando você já está velho, apto a fazer críticas frontais, soltar palavrões e contar putarias da juventude, enfim, finalmente ter pensamentos de um homem livre, vem a cuidadora de idosos interrompendo a conversa neto-avô, pois já está na hora de trocar a fralda.
Eu passei boa parte da vida me enganando. Sabe aquela coisa de fingir que tudo está bem, que não doeu, que tá bom assim, que eu aceito, que aham, tá legal? Pois é, isso realmente não é nada, nada legal.
Você não sabe ao certo o que vê em mim, mas também não sabe ao certo o que não vê. Eu não faço a menor idéia do que vejo em você, mas também não faço idéia do que não vejo. Você pode ter todos os defeitos do mundo, mas ainda é melhor do que o resto do mundo. Eu sempre me apaixono por você. Todas as vezes que te vi, eu sempre me apaixonei por você.
Todo casal deveria fazer o pacto “quando eu achar que o amor esta acabando, prometo lembrar de todos os motivos que me fizeram te amar.
Isso daqui vai durar. Sabe porque? Porque todo santo dia, eu acordo com a mesma vontade de ver esse teu rosto.
Talvez eu saiba em algum lugar, no fundo da minha alma, que o amor nunca dura e temos que encontrar outros meios de fazermos sozinhos, ou manter a cara séria. E sempre vivi assim, mantendo uma distância confortável e até agora tinha jurado para mim mesma que estou feliz com a solidão, porque nada disso nunca valeu o risco. Mas, bem… Você é a única exceção.
E por um determinado momento eu pensei em largar de mão, desistir. Só que um segundo depois me fiz às seguintes perguntas: a gente desiste da gente? A gente desiste dos nossos sonhos assim tão fácil? A gente se preocupa tão pouco em resgatar o que nos faz bem? E eu larguei tudo o que me prendia de forma negativa nessa fase ruim e concentrei todas as minhas forças em recuperar o que a gente tinha. Tinha não, tem. E eu descobri. Desistir de você, era a mesma coisa que desistir de mim mesma. Como eu poderia deixar escapar de uma maneira tão estúpida a razão da minha felicidade? Enquanto milhares de pessoas estão à procura dela, eu com a sorte que tenho de ter encontrado, ia deixar escapar assim? E foi a partir dessa pergunta, que encontrei todas as respostas. E elas não poderiam ser melhores.